Hipertensão arterial sistêmica

Toda Pressão Arterial Acima de 180/120 mmHg é uma Crise Hipertensiva?

Escrito por Humberto Graner

Esta publicação também está disponível em: Português

Paciente assintomático busca atendimento no pronto atendimento por que a pressão arterial (PA) está acima de 180/120 mmHg, e então é admitido como “crise hipertensiva”. Embora esses limiares sejam geralmente utilizados para considerar a possibilidade de uma crise hipertensiva, esses valores isoladamente não definem nem urgência, nem emergência hipertensiva.

Vamos revisar aqui alguns conceitos importantes, antes de considerarmos tratar esse paciente:

O que é Crise hipertensiva?

Crise hipertensiva é um termo genérico que engloba tanto a urgência quanto a emergência hipertensiva:

  1. Emergência hipertensiva: Caracteriza-se por uma elevação severa da pressão arterial (geralmente ≥180/120 mmHg) acompanhada de sinais de lesão aguda de órgãos-alvo, como encefalopatia hipertensiva, AVC, infarto do miocárdio, edema agudo pulmonar, insuficiência cardíaca aguda, dissecção aórtica, insuficiência renal aguda, ou eclâmpsia. A redução rápida (mas controlada!) da PA é necessária, geralmente com medicamentos intravenosos e em ambiente hospitalar.
  2. Urgência hipertensiva: A pressão arterial também está muito elevada (geralmente ≥180/120 mmHg), mas SEM sinais de lesão aguda de órgãos-alvo. A redução da PA pode ser feita de forma mais gradual, utilizando medicamentos orais e acompanhamento ambulatorial.
O que é uma Pseudocrise Hipertensiva?

Pseudocrise hipertensiva refere-se a situações em que há uma elevação significativa da pressão arterial, de forma muitas vezes crônica, sem comprometimento imediato de órgãos-alvo. Esses casos não necessitam de uma redução rápida da pressão arterial. Alguns exemplos incluem:

  • Hipertensão não tratada ou mal controlada: Consiste na maioria dos casos, onde o descontrole é crônico.
  • Ansiedade ou estresse: Situações de estresse emocional ou crises de pânico podem causar aumentos transitórios da PA.
  • Dor aguda: Condições dolorosas podem levar a elevações momentâneas da pressão arterial.
  • Descontinuação abrupta de medicamentos anti-hipertensivos: A interrupção repentina de medicamentos anti-hipertensivos pode levar a aumentos importantes da PA como efeito rebote.

A abordagem para uma pseudocrise hipertensiva é tratar a causa subjacente e monitorar a pressão arterial. Medicamentos para redução aguda da PA geralmente não são necessários, e a ênfase deve ser em aliviar o fator precipitante ou ajustar a terapêutica de forma ambulatorial.

Resumo
  • Crise hipertensiva: Inclui urgência (PA elevada sem dano a órgãos-alvo) e emergência hipertensiva (PA elevada com dano a órgãos-alvo).
  • Pseudocrise hipertensiva: PA elevada sem comprometimento imediato de órgãos-alvo, geralmente devido a fatores crônicos ou transitórios (como estresse ou dor), e não requer redução rápida da PA.

Essas definições ajudam a orientar a abordagem clínica apropriada e a gestão dos pacientes com hipertensão grave.

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Sobre o autor

Humberto Graner

Co-Editor do site Cardiopapers
Especialista em Cardiologia e Medicina Intensiva
Professor das Faculdades de Medicina da UFG e UniEvangélica (Goiás)
Doutor em Ciências pelo InCor-HCFMUSP
Fellowship em Coronariopatias Agudas pelo InCor-HCFMUSP
Coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein - Unidade Goiânia (GO)
Pesquisador da ARO (Academic Research Organization) - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo (SP)

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